O MUNICIPIO DE GETULIO VARGAS: ORIGEM DO NOME

 

O MUNICIPIO DE GETULIO VARGAS: ORIGEM DO NOME

 

·             Heitor José Filippon

 

 

                        Todos sabemos que o nome do nosso município resultou de uma justa homenagem ao grande estadista brasileiro, que à época (1935), era o presidente do Brasil.

 

                        Mas porque Getulio Vargas? Não existia uma só relação que justificasse a adoção do seu nome. Ele nasceu em São Borja, região da campanha, era filho de fazendeiros, pertencia à elite rural e jamais visitara o nosso município. Sequer desceu do trem, quando, no dia 14 de outubro de 1930, por aqui passou com destino ao Rio de Janeiro para assumir a Presidência da Republica.

 

                        A primeira versão que conheci, nunca me convenceu. Foi a do dedicado historiador getuliense Léo Stumpf referida em sua Monografia do Município de Getulio Vargas (1952). Stumpf relata que o nome Getulio Vargas foi sugerido pelo presidente da Comissão Pró-Emancipação Mathias Lorenzon ao então interventor federal General Flores da Cunha. Que motivos teria Lorenzon para abandonar o nome tradicional,  Erechim?

 

                        Lembramos, que, à época (1934), Getulio Vargas chamava-se Erechim e era 2º Distrito de Boa Vista (hoje Erechim). Nossa emancipação ocorreu em 1934 e Boa Vista adotou o nome Erechim somente em 1944,  dez anos depois. 

 

                        A segunda versão, que considero definitiva, foi relatada pelo historiador Mário Gardelim em artigo publicado no Correio do Povo há quase quatro décadas.

 

                        De acordo com Gardelim, em dezembro de 1934, hospedaram-se no Hotel Novo Jung em Porto Alegre, no mesmo dia, duas comissões pró-emancipação. A de Farroupilha que fora chamada por Flores da Cunha e a de Erechim (hoje Getulio Vargas) que tratava da emancipação já solicitada através de memorial encaminhado ao Interventor no final de 1932. A primeira seria recebida em audiência na manhã seguinte.

 

                        Já no Palácio, em plena audiência,  Flores da Cunha comunicou à comissão de Farroupilha que decidira conceder-lhes a emancipação. Entretanto, impunha-lhes uma condição: o nome do novo município seria Getulio Vargas e não Farroupilha como pretendiam. Justificou, afirmando que o presidente Getulio Vargas em breve visitaria o Estado e que ele pretendia homenageá-lo dando seu nome ha um novo município. O presidente da comissão argüiu que a comunidade, predominantemente de origem italiana, escolhera Farroupilha como tributo à revolução e ao italiano Garibaldi, seu destacado líder. O General não concordou. Foi então que um atento membro da comissão disse-lhe: “General, lá no Hotel Novo Jung está hospedada a Comissão Pró-Emancipação de Erechim que tem audiência marcada para esta tarde. Porque o senhor não lhes concede a emancipação, propondo-lhes o nome de Getulio Vargas?

 

                        A sugestão foi imediatamente aceita e Flores antecipou a audiência da Comissão de Erechim para à tarde daquele mesmo dia. Então, numa reunião conjunta com as duas comissões assinou o decreto que emancipou Farroupilha e apalavrou com a comissão de Erechim a sua imediata emancipação, impondo-lhes o nome de Getulio Vargas.

 

                        Farroupilha foi emancipada em 11 de dezembro de 1934, através do Decreto nº 5779. Sete dias depois, em 18 de dezembro de 1934, através do Decreto 5788, obtivemos a nossa tão almejada emancipação, depois de pleiteá-la  quase 20 anos.                  

 

                        Os membros da Comissão Pró-Emancipação liderados por Mathias Lorenzon e Candido Cony, cansados e encarvoados, desembarcaram de um moderno trem a vapor na estação Erechim (hoje Estação), onde foram calorosamente recebidos. Partiram com o objetivo modesto de continuar reivindicando. Chegaram com a emancipação concedida.

 

 

 

 

 

 

 

 

  • Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Getulio Vargas.
  • E-mail: hjfilippon@hotmail.com




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